Prefeito defende mais investimentos para evitar colapso da saúde em Viçosa
As dificuldades enfrentadas pelas prefeituras para garantir o funcionamento da área de saúde pública e evitar o colapso do setor foram classificadas pelo prefeito de Viçosa, Flaubert Torres Filho, como os principais gargalos das administrações municipais para manter um atendimento de qualidade à população.
Em entrevista na terça-feira (14), à Rádio CBN Maceió, Flaubert Filho fez um relato da situação do Hospital Municipal de Viçosa, que se tornou referência para região do Vale do Paraíba, centralizando o atendimento à população de cerca de oito municípios.
O prefeito citou a criação do consórcio entre as prefeituras para gerir o setor de forma integrada, como meio de dividir responsabilidades. “Nós estamos buscando soluções para otimizar os serviços, a um custo menor, pois a saúde está quebrando os municípios. O setor é muito complexo e o recurso é pouco. Não podemos negar atendimento aos usuários, mas o sistema está subfinanciado, os investimentos federais não são suficientes”.
Ao externar sua apreensão com uma possível recessão no país, Flaubert Filho lembrou que todas as obrigações do município não podem ser mantidas apenas com os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “Temos contrapartidas na Educação, na Cultura, no Esporte; não posso deixar de limpar minha cidade, pagar meus funcionários, manter minha frota. É toda uma estrutura que precisa ser mantida. Então, temos que fazer milagres, dividir os recursos para atender todos os setores. Meu medo é que essa crise financeira chegue aos municípios”.
O prefeito ressaltou a importância da manutenção de programas como o PSF (Programa Saúde da Família), um mecanismo eficaz de prevenção de doenças que pode desonerar o município de gastos com medicina curativa e evitar superlotação de hospitais e unidades da saúde.
“O PSF é um programa federal belíssimo e se for executado como deve vamos enfrentar o problema no nascedouro. Não precisaremos esperar a doença se agravar, para ter um custo bem maior de tratamento; tudo será resolvido preventivamente. Temos inúmeros profissionais que trabalham para manter o funcionamento do programa. São médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e agentes, que fazem um trabalho importantíssimo e que precisam ser bem remunerados. Sem falar na estrutura logística. Tudo isso precisa de financiamentos. São programas bons, mas o dinheiro não chega para sua execução, então as contas não fecham. É preciso uma solução, o prefeito não pode responder por esses entraves”, desabafou.
“O que devia haver mesmo é mais fiscalização dos recursos federais repassados Eu sou a favor de maior financiamento para as prefeituras, mas também defendo que elas sejam fiscalizadas, porque os prefeitos não podem ser colocados em uma vala comum e penalizados pelos erros dos outros administradores”, finalizou.
Por Soraya Leite
